Archive for the ‘Nacional’ Category

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Marionetas invadem Lisboa de 31 de Maio a 10 de Junho

May 29, 2007

marionetas_porto.jpgA 7ª edição do Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas, que decorre de 31 de Maio a 10 de Junho, em Lisboa, vai receber 16 companhias de teatro e marionetistas de oito países. O objectivo do festival é promover e divulgar o Teatro de Marionetas e colocar Lisboa na rota dos festivais internacionais de teatro.

“The Great War”, da companhia holandesa Hotel Modern, será o primeiro espectáculo a abrir o festival. Portugal marca presença com a peça “Cabaret Molotov”, do Teatro de Marionetas do Porto (na foto). O último dia está a cargo da companhia dinamarquesa Sofie Krog Teater que vai apresentar “Diva”, um espectáculo de teatro animado onde as marionetas movem os olhos, adianta a agência Lusa.

O programa do festival inclui também workshops destinados a profissionais, exposições, conferências e uma componente de troca de experiências entre criadores.

Os espectáculos vão decorrer em vários espaços de Lisboa, como na zona do Chiado e Bairro Alto, ao ar livre, mas a maioria dos espectáculos será no Teatro Maria Matos e no Museu da Marioneta. Portugal, Brasil, Dinamarca, Espanha, França, Holanda, Reino Unido e Rússia são os países representados.

[Eduarda Sousa]

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Vocalista de Moonspell lança novo livro

May 29, 2007

dialogo_de_vultos.jpgFernando Ribeiro, líder dos Moonspell, acaba de editar o terceiro livro de poesia – “Diálogo de Vultos”. A primeira sessão de autógrafos tem lugar na Feira do Livro de Lisboa e Porto, nos dias 2 e 3 de Junho, respectivamente.

“Como Escavar um Abismo” (2001) e “As Feridas Essenciais” (2004) já têm sucessor: “Diálogo de Vultos”, editado pela Quasi Edições. O livro já está à venda e a apresentação oficial está prevista para meados de Julho, segundo adianta a edição on-line da Blitz.

Fernando Ribeiro encontra-se também a preparar o primeiro livro de ficção, intitulado “O Bairro das Pessoas”. Os Moonspell estão, neste momento, a trabalhar no primeiro DVD e a ultimar o oitavo álbum.

[Eduarda Sousa]

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Governo não apoia pessoas com deficiência visual

May 29, 2007

Entrevista ao director Leonardo Silva da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO)

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O director da ACAPO Leonardo Silva lamenta a falta da aposta forte do Governo português na questão da integração dos deficientes visuais, sobretudo através da empregabilidade.

 “O governo, em vez de se preocupar em dar pequenos subsídios e pequenas obtenções, devia apostar em projectos, em programas de formação real e ter uma política de empregabilidade”, declara.

Para o director, só uma aposta forte em politicas de empregabilidade por parte da entidade governamental pode criar uma população invisual mais activa. Somente através do emprego as pessoas com deficiência visual podem sair de um estado de dependência.

Nas empresas portuguesas ainda existe “ preconceito que advêm sobretudo do desconhecimento”. “Quando uma entidade patronal dá uma oportunidade de emprego a uma pessoa com qualquer deficiência, regra geral, abre a porta a outros”, explica Leonardo Silva.

A “luta pela injustiça” pelo acesso desigual ao emprego é uma constante para a associação. Porque através do emprego é que a integração se torna possível “ a ACAPO intervém na sociedade para combater o preconceito que ainda existe muitas entidades empregadoras, sejam elas públicas ou privadas”, afirma o presidente.

“Se foram preparados para desempenhar uma profissão para a qual o seu perfil se adequa, pode desempenhar calmamente e ser útil à sociedade”, conclui

“Existe ainda muito preconceito da sociedade em geral”

“O preconceito percorre todas as camadas sócias”, desde os níveis mais altos aos mais baixos. “Infelizmente, ainda existe pessoas que vem na pessoa com deficiências uma espécie de monstruzinho, de extraterrestre”, lamenta.

Leonardo Silva chama-lhe “barreira mental”, assim “a sociedade ainda não esta preparada a olhar para a pessoa com deficiência enquanto pessoa”. A entrada no discurso do “coitadinho”, dificulta a valorização das suas capacidades.

A melhor forma de combater o preconceito, e o desconhecimento é “tornar a sociedade cada vez mais inclusiva”. Esta integração começa com a escola e continua no local de trabalho. O convívio é a única forma de lutar com a discriminação para “conseguir olhar para a pessoa e não para a deficiência”, explica.
 
O caso da Escola Secundária Carlos Amarante

Uma escola inclusiva deve permitir a entrada de todos, como também preparar-se e adaptar-se aos condicionalismos de todos. Leonardo Silva, que é também docente da Escola Secundária de Carlos Amarante de Braga, afirma que ela possui grandes avanços nesse sentido.

Assim, a Escola Secundária integra cinco alunos com deficiência visual, dez com deficiência auditiva e sete com deficiência-motora. Estes alunos são acompanhados por professores especializados nesta questão. Leccionam três professores especializados uma cada “área de deficiência”.

“Os alunos com deficiências estão bem integrados, tem os apoios previstos na legislação e fazem o seu percurso como os seus colegas”, explica o docente.

Dificuldade de deslocação em Braga

Tal como as outras cidades do país, a cidade de Braga não facilita a deslocação de pessoas com deficiência visual.

“O grande problema que se põe são os carros em cima dos passeios e, frequentemente, as obras que não são assinaladas ou são mal assinalada”, explica o presidente da ACAPO.

A maioria das obras são sinalizadas com o uso de uma fita, o que não impede o perigo para os invisuais, “a fita é muita levezinha e estando a meia altura, a bengala passam por baixo da fita”. Assim, para ser mais seguro torna-se necessário “um tratamento sólido e robusto”.

Outra questão prende-se com a “ quantidade restrita de semáforos sonoros na cidade de Braga e no restante país”. Se o invisual escolher um transporte público prende-se com o mesmo problema, a falta de sinais sonoros.

Leonardo Silva acredita que se tem verificado uma melhoria, muito devido às campanhas de sensibilização para esta problemática.

ACAPO promove integração

A associação presta apoio directo aos invisuais, dando aulas de Braille e o ensino de técnicas de orientação e mobilidade. A mobilidade passa pela apreensão da forma como usar a bengala na rua, bem como a aprendizagem das novas técnicas de informação e de comunicação.

A ACAPO promove ainda atendimento pisco-terapêutico, voleibol, grupo de teatro bem como a pratica dança de salão e a realização visitas de estudo e colónias de férias.

A ACAPO é uma associação distrital de Braga que dirige a sua acção à população com deficiência visual com grau de incapacidade igual ou superior a 60 por cento.

[ Sylvie Oliveira ]

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“O imigrante não tem de dissolver a sua cultura, tem de se adaptar à cultura vigente”

May 29, 2007

Centro Local de Apoio à Integração de Imigrantes (CLAII) de Braga ajuda na integração de imigrantes

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A técnica do CLAII, Sónia Rodrigues acredita que existe sempre uma abdicação por parte dos imigrantes, mas não implica a radicação da sua cultura. 

São vários os entraves para a integração dos imigrantes, o primeiro deles é naturalmente a língua. Os imigrantes confrontam-se com uma cultura com diferentes práticas sociais e religiosas. Longe das suas tradições e da sua família existe a necessidade de procurar os seus semelhantes constituindo novos grupos.

Por vezes esta prática pode contribuir para algum isolamento o que de certa forma pode aumentar a “desconfiança” e potenciar o preconceito da comunidade de acolhimento em relação a alguns grupos. Na verdade, “todas as minorias são alvo de discriminação (positiva ou negativa), tudo o que é diferente suscita dúvidas e até alguns medos, mas pela falta de conhecimento dessas mesmas minorias”, confessa a socióloga.

Segundo o relatório da Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas (ACIME) de 2006, a população de outras nacionalidades constitui 9 por cento por cento da população activa, constituindo 4,2 por cento da população residente. Dividem-se em vários sectores de actividades, a maioria na Construção Civil com 15 por cento, e na Hotelaria e nos Serviços e Empresas com 11 e 10 por cento respectivamente.

Para as pessoas que vêm para Portugal com licenciatura, a dificuldade reside em fazer reconhecer o seu diploma por uma universidade e pela ordem correspondente à sua formação. Quando a sua validação não é possível, resta-lhes dedicar-se a outro trabalho. “A adaptação a outro tipo de trabalhos é por vezes muito difícil, pois os trabalhos mais perigosos e mal pagos são realizados por imigrantes , nomeadamente por aqueles que se encontram em situação irregular”, explica Sónia Rodrigues.

“A integração não se faz através de um decreto. É preciso a interacção entre as pessoas, que partilham o que são e recebem o que o outro é”, conclui.

CLAII tem subida de atendimentos

Inaugurado em 2003, o CLAII já efectuou cerca de 3000 atendimentos. O número de atendimentos aumenta ano após ano. Em 2005, dirigiram-se ao centro de apoio 661 imigrantes, enquanto que em 2006 o número subiu para 733. Em 41 por cento dos casos os cidadãos estrangeiros encontravam-se em situação irregular.

Das pessoas que procuraram o CLAII, entre Abril de 2003 e Fevereiro de 2007, 49,84% pertencem ao género masculino e 45,33% são mulheres o que reflecte que a imigração feminina tem vindo a aumentar. A maioria destes atendimentos prende-se maioritariamente com questões legais.

Em Junho de 2006, o CLAI (Centro local de Apoio ao Imigrante) foi o primeiro CLAII a tornar-se CLAII (Centro Local de Apoio à Integração de Imigrantes) destacando-se a componente da integração.

Os objectivos do centro prendem-se com informação e aconselhamento ao imigrante, para que de uma forma consciente e informada possa tomar as suas decisões bem como facilitar o seu acesso aos diferentes recursos da comunidade. O trabalho realizado visa também a participação do imigrante no seu processo de integração e ainda promover a interculturalidade.

O CLAII resulta de uma parceria entre a Delegação de Braga da Cruz Vermelha Portuguesa e o Acime ( Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas). Trata-se de um serviço gratuito e confidencial.

Número de imigrantes em Portugal desconhecido

Não existem dados estatísticos acerca  do número de imigrantes irregulares em Portugal, pois a clandestinidade não é quantificável.

Dos utentes que procuraram o CLAII, a nacionalidade mais representativa é a brasileira. Existem vários factores que podem explicar este facto, a língua comum, uma ligação entre os dois países, bem como um acordo existente que permite aos cidadãos viajar para cada país sem a obrigatoriedade de um visto de turista. Das nacionalidades que assumem expressão significativa segue-se a Ucrânia, Roménia, Angola e Rússia.

A população imigrante está situada predominantemente na idade activa entre os 25 e os 45 anos. Os menores ou as pessoas que possuem mais de 60 anos vêm normalmente sobre o reagrupamento familiar.

Para Sónia Rodrigues, a “ imigração é um fenómeno irreversível e à escala global”. Assim ela possui várias vantagens para além da interculturalidade e crescimento económico, possibilita o rejuvenescimento da população portuguesa. “Os imigrantes travam o envelhecimento da Velha Europa”, realça.

O problema reside na imigração clandestina que favorece uma economia de subterfúgio e a ilegalidade, chegando a levar à exploração de indivíduos, nomeadamente daqueles que se encontram em situação irregular. 

“Uma das medidas que pode combater a imigração ilegal é a adopção de medidas comuns entre os países”, explica Sónia Rodrigues. Para terem sucesso, é necessário “promover o desenvolvimento dos países de origem, punir aqueles que exploram os trabalhadores imigrantes e desenvolver estratégias de maior informação nos países de origem” no que concerne a informação relativa aos processos migratórios.

Assim o futuro das políticas de imigração poderá passar por medidas europeias comuns, bem como o desenvolvimento do país de origem.

Imagem: http://populo.weblog.com.pt/arquivo/mundoemigrante.jpg
 

[ Sylvie Oliveira ]

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Escolas não oferecem condições necessárias para os alunos deficientes

May 29, 2007

Entrevista à directora da Associação Portuguesa de Deficientes, Rosa Guimarães

11.jpgEm Portugal, a maioria das escolas não dispõem de infra-estruturas adequadas e de professores especializados para possibilitar o sucesso académico e o bem-estar dos alunos deficientes. Em entrevista ao 25ª hora, a directora da Associação Portuguesa de Deficientes (APD) Rosa Guimarães afirma que “as escolas devem adaptar-se às necessidades dos estudantes deficientes e não o contrário”.

A educação inclusiva vem dar resposta à possível exclusão de alunos com deficiências. O projecto tende facilitar a interacção entre alunos deficientes e ‘ditos normais’, incentivando a sua “mistura”. Segundo Rosa Guimarães, tal iniciativa será difícil de concretizar devido à “escassez de professores especializados no apoio às crianças deficientes”.

As escolas deviam disponibilizar “equipas multidisciplinares”, permitindo um apoio contínuo aos alunos com deficiências. O apoio dado pelos técnicos especializados e a convivência com os restantes alunos permite eliminar uma possível discriminação.

É necessário apostar no convívio entre “todas” as crianças” desde a infância. “Encontra-mos poucas crianças deficientes nos infantários. Quando aparecem, é como se tivessem vindo de outro planeta”, afirma Adelino Novais, estudante de Psicologia da Universidade do Minho e invisual. 

Os trabalhadores com deficiências podem solicitar o financiamento do Governo português na aquisição das ajudas técnicas, o que não acontece com os estudantes. “As tecnologias são muito caras para nós. Estamos num beco sem saída”, exclama o estudante Adelino Novais.

A presidente da APD garante que a acessibilidade às ajudas técnicas é muito difícil nos restantes países da União Europeia, afirmando que “ainda estão numa fase muito embrionária”.

“Cheio de pessoas de cadeiras de rodas, andamos aqui nós”

Olívia Soares, deficiente-motora, considera-se uma “sortuda” por ter trabalhado 20 anos na mesma empresa. “Cheio de pessoas de cadeiras de rodas, andamos aqui nós” foi a resposta dada pelo director de gestão de um hospital quando Olívia procurou emprego pela primeira vez.

As pessoas com deficiências são, frequentemente, discriminadas na sua admissão ao mercado do trabalho. Rosa Guimarães declara que “havendo condições, as pessoas deficientes produzem tanto como qualquer outro trabalhador”.

De acordo com a Organização Mundial de Trabalho (OMT), menos de 20 por cento dos cidadãos portugueses com deficiência trabalham. Em Portugal, existe uma legislação que obriga a empregabilidade de cinco por cento de pessoas deficientes na função pública, mas “não é cumprida”, alerta Rosa Guimarães.

foto: [Anabela Santos /25ª Hora]

[ Catarina Dias ]

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Salas de chuto devem ser “medida de excepção” em Portugal

May 3, 2007

dsc02873.jpgO director da Unidade de Prevenção (UP) de Braga do Instituto de Droga e Toxicodependência Miguel Viana considera que a criação de ‘salas de administração asséptica’ deve ser uma “medida de quase excepção”. O técnico de saúde admite a existência de espaços para consumos acéticos apenas em locais com um “foco de perigo muito grande”.

De acordo com Miguel Viana, as ‘salas de administração asséptica’ devem constituir um recurso último na resposta à toxicodependência, sendo apenas utilizadas quando todas as restantes possibilidades foram experimentadas, como a intervenção de equipas na rua ou os programas de troca de seringas.

“Devemos criar todos os mecanismos para responder ao problema. Depois, em função da sua eficácia ou ineficácia, criamos um complemento ou uma alternativa em locais muito particulares”, afirmou o director. 

A criação de espaços destinados à injecção assistida deve acontecer apenas em locais onde “há uma forte concentração de pessoas a consumir droga em condições particularmente adversas”.

Em Portugal, a existência de ‘salas de administração asséptica’ só se justifica em alguns locais. “Poderá haver dois ou três locais no país que reúnem condições extremas para levar a cabo a criação de um espaço com estas características”, referiu o técnico de saúde.

O director da UP de Braga acredita que as ‘salas de administração asséptica’ permitem assegurar o consumo das substâncias químicas de uma forma acética, evitar a difusão de doenças e aproximar os indivíduos do sistema de saúde.

“Pretende-se que as pessoas façam o consumo da substância de uma forma asséptica e que haja a garantia de que não vão contrair mais doença do que aquelas que já têm”, salientou o director.

As ‘salas de administração asséptica’ podem ainda favorecer as relações de proximidade e acompanhamento entre os técnicos de saúde e os consumidores, mobilizando “alguns destes indivíduos para o tratamento”. “Podemos fazer um tratamento para a tuberculose quando eles recorrem a estes espaços ou levá-los às consultas às quais muitas vezes faltam”, asseverou o Miguel Viana.

Miguel Vieira considera que a designação ‘salas de chuto’ diaboliza a finalidade da criação dos espaços, preferindo a terminologia “salas de administração asséptica”.

“A própria terminologia ‘salas de chuto’ cria uma imagem de que o Estado vai ter a responsabilidade de criar um espaço abrigado da chuva onde as pessoas podem drogar-se”, lamentou Miguel Viana.

“Onde fica o limite do leve e do duro?”

O director da UP considera que a distinção estabelecida entre drogas duras e drogas leves não faz sentido, havendo apenas “consumos duros e consumos leves”.

O técnico de saúde advertiu para o facto de a distinção entre drogas leves e drogas duras aligeirar as consequências das drogas ditas leves. “Como toda a gente alinha neste discurso de dogas leves e de drogas duras, está a produzir-se um efeito de inoquidade em relação a estas drogas ditas leves”, reforçou Miguel Viana.

Miguel Viana critica a bipolarização dos discursos acerca da qualificação das drogas, na qual “de um lado estão os defensores da inoquidade das drogas” e, num lado oposto, “está o discurso da viabilização”.

“São duas visões muito redutoras e muito perigosas porque não são objectivas. São quase inconciliaveis e não representam nenhuma mais-valia”, salientou o director.

“A prevenção deve começar quando toda a gente está saudável”

Miguel Viana considera que a aposta preventiva deve começar nas crianças de tenra idade, quando “não há problema absolutamente nenhum”. “A população pensa que é preciso começar a prevenir quando já começam a surgir uns boatos sobre o que os miúdos fazem atrás do pavilhão”, ironizou o técnico de saúde.

O director salientou que o processo de prevenção junto dos jovens consiste em esclarecê-los sobre o fenómeno da toxicodependência e não num incentivo ao consumo.

“As pessoas pensam que prevenir o consumo de drogas é falar sobre drogas e não é. Prevenir é trabalhar sobre as questões que levam as pessoas a procurar no consumo algum tipo de satisfação”, asseverou Miguel Viana.

O técnico de saúde sustenta que “não é possível prevenir se não for numa lógica de continuidade”, pelo que é fundamental um “trabalho longitudinal” que acompanhe o processo de crescimento das crianças.

[Foto: Anabela Santos/25Hora]

[Anabela Santos]

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“Em Portugal escreve-se muito mal”

April 30, 2007

baptistabastos.jpgÚltimo dia da Feira do Livro de Braga contou com a presença do escritor Baptista-Bastos

Baptista-Bastos afirmou, ontem, 29 de Abril, na Feira do Livro de Braga, que “em Portugal escreve-se muito mal” e “os lobbies acabam sempre por vencer”. No último dia do evento, Luís Cardoso, Manuel Jorge Marmelo, Fernando Pinto Amaral e Baptista-Bastos encerraram o ciclo de debates com o tema “Os (mil) rios da escrita”.

Baptista-Bastos (na foto) acredita que “muitos escritores à força de o quererem ser deixam de o ser”. E refere como exemplo José Rodrigues dos Santos que, na sua opinião, “não existe como escritor, jornalista ou pivô”

Para o autor de “Fado Falado”, “não existe uma crítica literária em Portugal e os lobbies acabam sempre por vencer”. “Faz falta a muitos escritores passarem pelas redacções dos jornais”, continua. “Há uma grande ausência de curiosidade nas pessoas” e “a imprensa em Portugal não cumpre o seu dever e omite, muitas vezes, por ignorância”. Por isso, é “urgente as pessoas desenvolverem um sentido crítico”, finaliza Baptista-Bastos.

O jornalista e escritor Manuel Jorge Marmelo afirma que existem “regras para escrever. Até há cursos de escrita criativa mas um romance só existe quando essas regras são rompidas”. “Desde a Grécia antiga que as histórias estão todas contadas, podemos é arranjar novas formas de as contar”.

Fernando Pinto de Amaral acha que um escritor ainda pode acrescentar algo de novo, nem que seja ao nível da linguagem, de forma a criar um espaço renovado. “O escritor deve trazer ao leitor aquilo que ele, como leitor, gostaria de ler”, continua.

Portugueses lêem mais

O professor universitário é da opinião que cada vez se lê mais. O problema está em ler só “livros de entretenimento”, por isso, apela aos leitores que “não desistam mas continuem”, passando para outro tipo de literatura.

Fernando Pinto de Amaral encara a escrita com “seriedade” mas também como uma “brincadeira”. Em resposta ao tema “Os (mil) rios da escrita”, o escritor timorense Luís Cardoso, afirma que “a escrita tem a ver com o mar” já que na sua terra, Timor, “não há rios, apenas mar”.

A sessão ficou marcada pela ausência da escritora Teolinda Gersão que não pôde comparecer. Na hora do balanço, o responsável pela Feira do Livro e moderador da mesa, Jorge Cruz, destacou a presença constante dos jovens no evento. E adiantou que a próxima Feira do Livro de Braga está assegurada para finais de Março de 2008, “com estes ou outros responsáveis”.

[Eduarda Sousa]

Imagem: http://www.releituras.com

Artigo original. Versão editada aqui (ComUM)