h1

Governo não apoia pessoas com deficiência visual

May 29, 2007

Entrevista ao director Leonardo Silva da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO)

dsc03589.jpg

O director da ACAPO Leonardo Silva lamenta a falta da aposta forte do Governo português na questão da integração dos deficientes visuais, sobretudo através da empregabilidade.

 “O governo, em vez de se preocupar em dar pequenos subsídios e pequenas obtenções, devia apostar em projectos, em programas de formação real e ter uma política de empregabilidade”, declara.

Para o director, só uma aposta forte em politicas de empregabilidade por parte da entidade governamental pode criar uma população invisual mais activa. Somente através do emprego as pessoas com deficiência visual podem sair de um estado de dependência.

Nas empresas portuguesas ainda existe “ preconceito que advêm sobretudo do desconhecimento”. “Quando uma entidade patronal dá uma oportunidade de emprego a uma pessoa com qualquer deficiência, regra geral, abre a porta a outros”, explica Leonardo Silva.

A “luta pela injustiça” pelo acesso desigual ao emprego é uma constante para a associação. Porque através do emprego é que a integração se torna possível “ a ACAPO intervém na sociedade para combater o preconceito que ainda existe muitas entidades empregadoras, sejam elas públicas ou privadas”, afirma o presidente.

“Se foram preparados para desempenhar uma profissão para a qual o seu perfil se adequa, pode desempenhar calmamente e ser útil à sociedade”, conclui

“Existe ainda muito preconceito da sociedade em geral”

“O preconceito percorre todas as camadas sócias”, desde os níveis mais altos aos mais baixos. “Infelizmente, ainda existe pessoas que vem na pessoa com deficiências uma espécie de monstruzinho, de extraterrestre”, lamenta.

Leonardo Silva chama-lhe “barreira mental”, assim “a sociedade ainda não esta preparada a olhar para a pessoa com deficiência enquanto pessoa”. A entrada no discurso do “coitadinho”, dificulta a valorização das suas capacidades.

A melhor forma de combater o preconceito, e o desconhecimento é “tornar a sociedade cada vez mais inclusiva”. Esta integração começa com a escola e continua no local de trabalho. O convívio é a única forma de lutar com a discriminação para “conseguir olhar para a pessoa e não para a deficiência”, explica.
 
O caso da Escola Secundária Carlos Amarante

Uma escola inclusiva deve permitir a entrada de todos, como também preparar-se e adaptar-se aos condicionalismos de todos. Leonardo Silva, que é também docente da Escola Secundária de Carlos Amarante de Braga, afirma que ela possui grandes avanços nesse sentido.

Assim, a Escola Secundária integra cinco alunos com deficiência visual, dez com deficiência auditiva e sete com deficiência-motora. Estes alunos são acompanhados por professores especializados nesta questão. Leccionam três professores especializados uma cada “área de deficiência”.

“Os alunos com deficiências estão bem integrados, tem os apoios previstos na legislação e fazem o seu percurso como os seus colegas”, explica o docente.

Dificuldade de deslocação em Braga

Tal como as outras cidades do país, a cidade de Braga não facilita a deslocação de pessoas com deficiência visual.

“O grande problema que se põe são os carros em cima dos passeios e, frequentemente, as obras que não são assinaladas ou são mal assinalada”, explica o presidente da ACAPO.

A maioria das obras são sinalizadas com o uso de uma fita, o que não impede o perigo para os invisuais, “a fita é muita levezinha e estando a meia altura, a bengala passam por baixo da fita”. Assim, para ser mais seguro torna-se necessário “um tratamento sólido e robusto”.

Outra questão prende-se com a “ quantidade restrita de semáforos sonoros na cidade de Braga e no restante país”. Se o invisual escolher um transporte público prende-se com o mesmo problema, a falta de sinais sonoros.

Leonardo Silva acredita que se tem verificado uma melhoria, muito devido às campanhas de sensibilização para esta problemática.

ACAPO promove integração

A associação presta apoio directo aos invisuais, dando aulas de Braille e o ensino de técnicas de orientação e mobilidade. A mobilidade passa pela apreensão da forma como usar a bengala na rua, bem como a aprendizagem das novas técnicas de informação e de comunicação.

A ACAPO promove ainda atendimento pisco-terapêutico, voleibol, grupo de teatro bem como a pratica dança de salão e a realização visitas de estudo e colónias de férias.

A ACAPO é uma associação distrital de Braga que dirige a sua acção à população com deficiência visual com grau de incapacidade igual ou superior a 60 por cento.

[ Sylvie Oliveira ]

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

w

Connecting to %s

%d bloggers like this: