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Escolas não oferecem condições necessárias para os alunos deficientes

May 29, 2007

Entrevista à directora da Associação Portuguesa de Deficientes, Rosa Guimarães

11.jpgEm Portugal, a maioria das escolas não dispõem de infra-estruturas adequadas e de professores especializados para possibilitar o sucesso académico e o bem-estar dos alunos deficientes. Em entrevista ao 25ª hora, a directora da Associação Portuguesa de Deficientes (APD) Rosa Guimarães afirma que “as escolas devem adaptar-se às necessidades dos estudantes deficientes e não o contrário”.

A educação inclusiva vem dar resposta à possível exclusão de alunos com deficiências. O projecto tende facilitar a interacção entre alunos deficientes e ‘ditos normais’, incentivando a sua “mistura”. Segundo Rosa Guimarães, tal iniciativa será difícil de concretizar devido à “escassez de professores especializados no apoio às crianças deficientes”.

As escolas deviam disponibilizar “equipas multidisciplinares”, permitindo um apoio contínuo aos alunos com deficiências. O apoio dado pelos técnicos especializados e a convivência com os restantes alunos permite eliminar uma possível discriminação.

É necessário apostar no convívio entre “todas” as crianças” desde a infância. “Encontra-mos poucas crianças deficientes nos infantários. Quando aparecem, é como se tivessem vindo de outro planeta”, afirma Adelino Novais, estudante de Psicologia da Universidade do Minho e invisual. 

Os trabalhadores com deficiências podem solicitar o financiamento do Governo português na aquisição das ajudas técnicas, o que não acontece com os estudantes. “As tecnologias são muito caras para nós. Estamos num beco sem saída”, exclama o estudante Adelino Novais.

A presidente da APD garante que a acessibilidade às ajudas técnicas é muito difícil nos restantes países da União Europeia, afirmando que “ainda estão numa fase muito embrionária”.

“Cheio de pessoas de cadeiras de rodas, andamos aqui nós”

Olívia Soares, deficiente-motora, considera-se uma “sortuda” por ter trabalhado 20 anos na mesma empresa. “Cheio de pessoas de cadeiras de rodas, andamos aqui nós” foi a resposta dada pelo director de gestão de um hospital quando Olívia procurou emprego pela primeira vez.

As pessoas com deficiências são, frequentemente, discriminadas na sua admissão ao mercado do trabalho. Rosa Guimarães declara que “havendo condições, as pessoas deficientes produzem tanto como qualquer outro trabalhador”.

De acordo com a Organização Mundial de Trabalho (OMT), menos de 20 por cento dos cidadãos portugueses com deficiência trabalham. Em Portugal, existe uma legislação que obriga a empregabilidade de cinco por cento de pessoas deficientes na função pública, mas “não é cumprida”, alerta Rosa Guimarães.

foto: [Anabela Santos /25ª Hora]

[ Catarina Dias ]

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