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“O imigrante não tem de dissolver a sua cultura, tem de se adaptar à cultura vigente”

May 29, 2007

Centro Local de Apoio à Integração de Imigrantes (CLAII) de Braga ajuda na integração de imigrantes

mundoemigrante1.jpg

A técnica do CLAII, Sónia Rodrigues acredita que existe sempre uma abdicação por parte dos imigrantes, mas não implica a radicação da sua cultura. 

São vários os entraves para a integração dos imigrantes, o primeiro deles é naturalmente a língua. Os imigrantes confrontam-se com uma cultura com diferentes práticas sociais e religiosas. Longe das suas tradições e da sua família existe a necessidade de procurar os seus semelhantes constituindo novos grupos.

Por vezes esta prática pode contribuir para algum isolamento o que de certa forma pode aumentar a “desconfiança” e potenciar o preconceito da comunidade de acolhimento em relação a alguns grupos. Na verdade, “todas as minorias são alvo de discriminação (positiva ou negativa), tudo o que é diferente suscita dúvidas e até alguns medos, mas pela falta de conhecimento dessas mesmas minorias”, confessa a socióloga.

Segundo o relatório da Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas (ACIME) de 2006, a população de outras nacionalidades constitui 9 por cento por cento da população activa, constituindo 4,2 por cento da população residente. Dividem-se em vários sectores de actividades, a maioria na Construção Civil com 15 por cento, e na Hotelaria e nos Serviços e Empresas com 11 e 10 por cento respectivamente.

Para as pessoas que vêm para Portugal com licenciatura, a dificuldade reside em fazer reconhecer o seu diploma por uma universidade e pela ordem correspondente à sua formação. Quando a sua validação não é possível, resta-lhes dedicar-se a outro trabalho. “A adaptação a outro tipo de trabalhos é por vezes muito difícil, pois os trabalhos mais perigosos e mal pagos são realizados por imigrantes , nomeadamente por aqueles que se encontram em situação irregular”, explica Sónia Rodrigues.

“A integração não se faz através de um decreto. É preciso a interacção entre as pessoas, que partilham o que são e recebem o que o outro é”, conclui.

CLAII tem subida de atendimentos

Inaugurado em 2003, o CLAII já efectuou cerca de 3000 atendimentos. O número de atendimentos aumenta ano após ano. Em 2005, dirigiram-se ao centro de apoio 661 imigrantes, enquanto que em 2006 o número subiu para 733. Em 41 por cento dos casos os cidadãos estrangeiros encontravam-se em situação irregular.

Das pessoas que procuraram o CLAII, entre Abril de 2003 e Fevereiro de 2007, 49,84% pertencem ao género masculino e 45,33% são mulheres o que reflecte que a imigração feminina tem vindo a aumentar. A maioria destes atendimentos prende-se maioritariamente com questões legais.

Em Junho de 2006, o CLAI (Centro local de Apoio ao Imigrante) foi o primeiro CLAII a tornar-se CLAII (Centro Local de Apoio à Integração de Imigrantes) destacando-se a componente da integração.

Os objectivos do centro prendem-se com informação e aconselhamento ao imigrante, para que de uma forma consciente e informada possa tomar as suas decisões bem como facilitar o seu acesso aos diferentes recursos da comunidade. O trabalho realizado visa também a participação do imigrante no seu processo de integração e ainda promover a interculturalidade.

O CLAII resulta de uma parceria entre a Delegação de Braga da Cruz Vermelha Portuguesa e o Acime ( Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas). Trata-se de um serviço gratuito e confidencial.

Número de imigrantes em Portugal desconhecido

Não existem dados estatísticos acerca  do número de imigrantes irregulares em Portugal, pois a clandestinidade não é quantificável.

Dos utentes que procuraram o CLAII, a nacionalidade mais representativa é a brasileira. Existem vários factores que podem explicar este facto, a língua comum, uma ligação entre os dois países, bem como um acordo existente que permite aos cidadãos viajar para cada país sem a obrigatoriedade de um visto de turista. Das nacionalidades que assumem expressão significativa segue-se a Ucrânia, Roménia, Angola e Rússia.

A população imigrante está situada predominantemente na idade activa entre os 25 e os 45 anos. Os menores ou as pessoas que possuem mais de 60 anos vêm normalmente sobre o reagrupamento familiar.

Para Sónia Rodrigues, a “ imigração é um fenómeno irreversível e à escala global”. Assim ela possui várias vantagens para além da interculturalidade e crescimento económico, possibilita o rejuvenescimento da população portuguesa. “Os imigrantes travam o envelhecimento da Velha Europa”, realça.

O problema reside na imigração clandestina que favorece uma economia de subterfúgio e a ilegalidade, chegando a levar à exploração de indivíduos, nomeadamente daqueles que se encontram em situação irregular. 

“Uma das medidas que pode combater a imigração ilegal é a adopção de medidas comuns entre os países”, explica Sónia Rodrigues. Para terem sucesso, é necessário “promover o desenvolvimento dos países de origem, punir aqueles que exploram os trabalhadores imigrantes e desenvolver estratégias de maior informação nos países de origem” no que concerne a informação relativa aos processos migratórios.

Assim o futuro das políticas de imigração poderá passar por medidas europeias comuns, bem como o desenvolvimento do país de origem.

Imagem: http://populo.weblog.com.pt/arquivo/mundoemigrante.jpg
 

[ Sylvie Oliveira ]

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One comment

  1. têm que terminar este site o quanto antes pois acabei de saber que estao a pôr um virus neste site.
    para o bem de todos agradecia que retirassem este site na web comprimentos



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