
Moradores do Campus de Gualtar solicitam informações do reitor da Universidade do Minho
May 14, 2007UM quer despejar os moradores
A reitoria da Universidade do Minho ainda não informou os moradores do “potencial despejo” das casas juntas à cantina, no Bairro do Sol. Em entrevista ao ComUM, o morador, Domingos Moreira da Silva, afirma que a academia minhota tem a obrigação de informar os inquilinos e os proprietários sobre os eventuais projectos.
Os moradores não dispõem de qualquer tipo de informação sobre o eventual despejo, o que os coloca numa situação de “incerteza constante”. Nenhum prazo foi estipulado por parte da academia minhota. “Nós vamos sair, mas a universidade ainda não avisou ninguém”, reforça Domingos Moreira da Silva.
“Nunca fui pressionado, mas espero que esta instituição reconheça o tempo e a vida que vamos deixar cá”, confessa.
Os moradores acreditam que a universidade tem a obrigação de esclarecer as pessoas envolvidas para permitir uma organização e mentalização prévia. Uma carta da reitoria para abandonar o local não é suficiente, pois é necessário conversar para chegar a um acordo, afirma uma moradora. Domingos Moreira da Silva confessa que alguns vizinhos foram alertados através de uma carta.
Moradores consideram que as propostas da UM são fracas
Nenhuma proposta de compra foi estabelecida pela Universidade do Minho. Os proprietários das últimas casas destruídas receberam “propostas irrisórias”, explica o morador Domingos Moreira Silva. Para um terreno de 200 metros quadrados, a primeira oferta foi de 9000 euros, o que é “incompreensível visto que um terreno no Campus de Gualtar adquire um grande valor”, reforça Augustina Gomes.
“Quando for a minha vez, não vou aceitar uma proposta qualquer”, afirma Teresa Jesus Vieira Rodrigues da Silva.
Um vizinho antigo recebeu uma proposta de cerca de 19 000 euros por cerca de 200 metros quadrados, enquanto que outro foi indemnizado com 45 000 euros. Uma oferta de cerca de 20 000 euros por um terreno no Campus de Gualtar “não é dinheiro, é uma roubalheira que a universidade está a fazer aos moradores”, contesta Moreira Silva.
“O valor da casa e do terreno são dois valores distintos e a universidade só quer pagar um deles”, avança Moreira Silva.
Moradores mostram-se insatisfeitos
Os moradores consideram que a atitude da academia minhota é “injusta”. Teresa da Silva mostrou-se preocupada com a sua eventual ‘saída de casa’, considerando que “não tendo dinheiro para comprar uma casa”, terá que alugar um apartamento.
O despejo dos moradores é para o “bem comum e o desenvolvimento da sociedade”, mas também é evidente que “qualquer oferta é muito fraca”, confessa Augustina Gomes.
“Eles fizeram pouco dos vizinhos despojados porque, para além, de oferecer um montante miserável pela propriedade, a construção de novos complexos faziam abanar as casas e produziam uma quantidade excessiva de pó”, sustenta uma moradora que não quiz identificar-se.
Em declarações ao ComUM, Maria da Conceição Moreira afirma que a academia minhota deveria comprar um espaço para juntar os moradores. “A estratégia deles é enviar poucas pessoas para que o impacto seja mais fraco. Nós vamos resistir e lutar por aquilo que é nosso”, acrescenta.
Artigo publicado no ComUM: http://www.comumonline.net/noticia.asp?id=2087
[foto: Catarina Dias/ ComUM]
[Catarina Dias]