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Programa de prevenção de ansiedade na Universidade do Minho

May 9, 2007

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Em entrevista ao ComUM e 25ª Hora, Bruno Aragão e Raquel Ferreirinha falam sobre o Programa Ansiedade.

Ajudar os estudantes a reconhecer, lidar e gerir os momentos de ansiedade é o objectivo a que se propõem dois estudantes do 5º ano de Psicologia da Universidade do Minho, Bruno Aragão e Raquel Ferreirinha, com o Programa Ansiedade. Todos os estudantes se podem inscrever gratuitamente.

25ª Hora - Por quem é organizado o programa ansiedade?
Bruno Aragão (BA) – É organizado pelos dois, como actividade de estágio, e supervisionado pela professora Eugénia Fernandes.

A quem se destina?
Raquel Ferreirinha (RF) – Destina-se principalmente a estudantes universitários mas qualquer pessoa se pode inscrever, havendo posteriormente um processo de triagem.
BA – Este é um programa de prevenção, não visa, portanto, tratar pessoas que possuam alguma patologia ou perturbação de ansiedade.

Como vai funcionar? É gratuito?
BA – É um programa de intervenção em grupo, absolutamente gratuito. Ainda não está definido se as sessões vão ser semanais ou bi-semanais, tudo depende da disponibilidade dos participantes e das características do grupo.

Como surgiu a ideia de criar este programa?
BA – Em primeiro lugar não queríamos trabalhar uma patologia mas escolher uma característica que é comum na sociedade. Todos temos ansiedade e ainda bem. Reconhecendo que há picos e variações de ansiedade, por que não trabalhar isto de uma forma preventiva?
O problema não é medir o nível de ansiedade num dado momento mas saber se a pessoa é capaz de a identificar, gerir e eventualmente aproveitar as vantagens que ela possa trazer.

Que tipo de ansiedade visa o programa tratar?
BA – Toda e não exclusivamente aquela que antecede os exames. Ainda que para os estudantes universitários esse seja o momento em que se registam maiores picos de ansiedade.

Os alunos já tinham solicitado este tipo de auxílio?
BA – Sim, a maior parte dos pedidos que aparecem no Serviço de Consulta Psicológica de estudantes da Universidade do Minho anda à volta desta temática. A ansiedade não é uma perturbação ou problema, tirando obviamente os casos extremos.

É possível definir a fronteira a partir da qual a ansiedade passa de “normal” a “patológica”?
BA – Existem alguns índices e momentos de avaliação que permitem responder com alguma clareza se estamos ou não perante uma ansiedade patológica. A ansiedade é um contínuo, muito difícil de “cortar”, a menos que sejam casos extremos, que são fáceis de identificar por avaliação clínica. Este programa visa eliminar esse ponto de ruptura. Não há ansiedades melhores ou piores mas ansiedades com determinadas características e consequências.

Quais são os sintomas mais comuns da ansiedade?
RF – Isso varia muito de pessoa para pessoa. Tanto pode ocorrer a nível cardíaco (respiração ofegante) como a nível digestivo (dores de barriga, vómitos, desmaios), entre outros.

Existem algumas estratégias para as pessoas minimizarem ou controlarem a ansiedade?
BA – Hoje em dia há uma grande confusão e mistificação em volta do que é a ansiedade e do que se tem de fazer para a controlar. Existem de facto algumas estratégias, como por exemplo, o relaxamento muscular, que não tem nada de místico. Uma das características da activação fisiológica é a tensão muscular. Mais do que estratégias para lidar, o que ajuda sobretudo é perceber o que se está a passar. Não há soluções para todos. Nunca se procura que não haja ansiedade, isso não existe. Até porque a ansiedade pode ser benéfica em determinados momentos como quando temos, por exemplo, prazos a cumprir. Neste caso, a ansiedade incita a pessoa a despachar-se.

Quais são as maiores dificuldade e riscos que um programa destes comporta?
BA – Há um problema quando se fazem programas de prevenção: as pessoas não sentem necessidade de o fazer. Ninguém se lembra de vir fazer um programa de prevenção se não sente nada. Primeiro porque há algum desconhecimento e depois por que não há esta percepção de necessidade, o que limita sempre o número de inscritos. E há um risco: as pessoas que estão mais atentas a este tipo de programas são as pessoas que estão nos extremos. Daí a necessidade da triagem pois não vamos oferecer um formato de intervenção a uma pessoa que precisa de outro.
RF – As pessoas que manifestam mais sintomas são precisamente aquelas que tem mais problemas em identificar do que se trata.

Qual o objectivo final deste programa?
RF – O ideal seria o grupo aprender a reconhecer e lidar com a ansiedade.

As inscrições podem ser feitas para o email: programa.ansiedade@gmail.com

Imagem: cedida pelos entrevistados

[Eduarda Sousa]