A Amnistia Internacional (AI) anunciou, hoje, a diminuição do número de execuções e o aumento da pressão internacional a favor da abolição universal da pena de morte. Em 2006, o Irão, Iraque, Sudão, Paquistão, EUA e China foram responsáveis por 91 por cento das execuções.
De acordo com a organização, em 2006, cerca de 1591 pessoas foram executadas em 25 países, um número inferior ao de 2005, que registou 2148 execuções. No ano passado, pelo menos 3861 pessoas foram condenadas à morte em 55 países, mas a AI admite que o índice efectivo poderá ser muito superior.
A China é o principal executor do mundo. A AI aponta para mil execuções registadas, em 2006, no país. Os dados relativos à aplicação da pena de morte são segredo de Estado na China, pelo que o número total de execuções poderá ascender aos oito mil.
O número de execuções, em 2006, no Irão duplicou em relação ao ano de 2005, executando mais de 177 pessoas, o que o colocou na segunda posição da lista dos países com maiores índices de execuções no ano passado.
No Iraque, cerca de 270 pessoas foram condenadas à morte desde de 2004, registando-se, pelo menos, cem execuções. Em 2006, o índice de execuções aumentou “drasticamente” no país, com o enforcamento de 65 pessoas.
“Os dados sobre a pena de morte, em 2006, são imperdoáveis, mas as autoridades do Iraque e da China, dois dos países que mais pessoas executam, expressaram o desejo de verem o fim da aplicação da pena capital nos seus respectivos países”, afirmou a secretária-geral da AI, Irene Khan.
O Paquistão passou a integrar a lista dos países com maiores índices, com 82 execuções em 2006. O Paquistão e o Irão foram os únicos países a executar menores. O Sudão e os EUA registaram 65 e 53 execuções, respectivamente.
Embora o índice de execuções tenha diminuído em 2006, o número de pessoas que foram condenadas e estão a aguardar a execução oscila entre os 19 mil e os 25 mil.
Na Europa, a Bielo-Rússia é o único país que continua a aplicar a pena de morte. Os EUA são o único país do continente americano que efectuou execuções desde 2003.
Pena de morte como instrumento dissuasor da criminalidade
De acordo com a ONU, não existe uma relação directa entre a vigência da pena de morte e os índices de criminalidade, considerando que “não é prudente aceitar a hipótese de que a pena de morte tem um maior poder dissuasor sobre os homicídios do que a ameaça e a aplicação da prisão perpétua, pena supostamente inferior”.
“Os países não têm por que temer mudanças súbitas e graves nos índices de criminalidade se reduzirem o seu recurso à pena de morte”, sublinha ainda a organização.
Os números mais recentes de criminalidade dos países onde já não vigora a pena de morte comprovam que a abolição desta sentença não produziu um aumento da delinquência e de actos criminosos. No Canadá, por exemplo, o índice de homicídios por cem mil habitantes de 2003 é 44 por cento inferior ao de 1975, ano anterior à abolição da pena de morte.
[Foto: http://www.amnistiainternacional.org/]
[Anabela Santos]


