Archive for April, 2007

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“Em Portugal escreve-se muito mal”

April 30, 2007

baptistabastos.jpgÚltimo dia da Feira do Livro de Braga contou com a presença do escritor Baptista-Bastos

Baptista-Bastos afirmou, ontem, 29 de Abril, na Feira do Livro de Braga, que “em Portugal escreve-se muito mal” e “os lobbies acabam sempre por vencer”. No último dia do evento, Luís Cardoso, Manuel Jorge Marmelo, Fernando Pinto Amaral e Baptista-Bastos encerraram o ciclo de debates com o tema “Os (mil) rios da escrita”.

Baptista-Bastos (na foto) acredita que “muitos escritores à força de o quererem ser deixam de o ser”. E refere como exemplo José Rodrigues dos Santos que, na sua opinião, “não existe como escritor, jornalista ou pivô”

Para o autor de “Fado Falado”, “não existe uma crítica literária em Portugal e os lobbies acabam sempre por vencer”. “Faz falta a muitos escritores passarem pelas redacções dos jornais”, continua. “Há uma grande ausência de curiosidade nas pessoas” e “a imprensa em Portugal não cumpre o seu dever e omite, muitas vezes, por ignorância”. Por isso, é “urgente as pessoas desenvolverem um sentido crítico”, finaliza Baptista-Bastos.

O jornalista e escritor Manuel Jorge Marmelo afirma que existem “regras para escrever. Até há cursos de escrita criativa mas um romance só existe quando essas regras são rompidas”. “Desde a Grécia antiga que as histórias estão todas contadas, podemos é arranjar novas formas de as contar”.

Fernando Pinto de Amaral acha que um escritor ainda pode acrescentar algo de novo, nem que seja ao nível da linguagem, de forma a criar um espaço renovado. “O escritor deve trazer ao leitor aquilo que ele, como leitor, gostaria de ler”, continua.

Portugueses lêem mais

O professor universitário é da opinião que cada vez se lê mais. O problema está em ler só “livros de entretenimento”, por isso, apela aos leitores que “não desistam mas continuem”, passando para outro tipo de literatura.

Fernando Pinto de Amaral encara a escrita com “seriedade” mas também como uma “brincadeira”. Em resposta ao tema “Os (mil) rios da escrita”, o escritor timorense Luís Cardoso, afirma que “a escrita tem a ver com o mar” já que na sua terra, Timor, “não há rios, apenas mar”.

A sessão ficou marcada pela ausência da escritora Teolinda Gersão que não pôde comparecer. Na hora do balanço, o responsável pela Feira do Livro e moderador da mesa, Jorge Cruz, destacou a presença constante dos jovens no evento. E adiantou que a próxima Feira do Livro de Braga está assegurada para finais de Março de 2008, “com estes ou outros responsáveis”.

[Eduarda Sousa]

Imagem: www.releituras.com

Artigo original. Versão editada aqui (ComUM)

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Teatro Maria de Matos realiza workshops para crianças

April 30, 2007

maria_matos.jpgO Teatro Maria de Matos, em Lisboa, apresenta um conjunto de actividades dedicadas aos mais pequenos, em Maio e Junho. «Visitas dentro de Cena», «Conversas com Criadores» e «Palavras com Ar» são alguns dos workshops propostos pelo Projecto Educativo. A primeira actividade começa a 2 de Maio.

O Teatro Maria de Matos pretende com estas actividades «estabelecer pontes com os mais jovens e ajudar a sensibilizar e a formar novos públicos», refere em comunicado. As inscrições são limitadas e necessitam de marcação prévia. Mais informações podem ser encontradas aqui.

Cartaz:

2 Maio
VISITAS DENTRO DE CENA
Participação da equipa do Teatro Maria
Entrada gratuita | 10h30

3 Maio
CONVERSAS COM CRIADORES
Conversas com Diogo Infante (actor) e Zé Rui (desenhador de luz)
Entrada gratuita | 11h00

12, 13, 14, 15, 16 e 17 Maio
OFICINA PALAVRAS COM AR
Escolas: 2,5 euros | Crianças: 3 euros
Sáb: 15h30 | Dom: 11h00 | 2ª a 5ª: 10h30

9, 10, 16 e 17 Junho
OFICINA CENÁRIOS E SINAIS VISUAIS
Crianças: 2,5 euros
Sáb: 15h30 | Dom: 11h00

25 a 29 de Junho
OFICINA COLECÇÃO DE URGÊNCIAS
Crianças: 25 euros
2ª a 6ª: 10h00 às 12h00

[Eduarda Sousa]

[Imagem: www.lxjovem.pt]

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Excesso de álcool provoca 27,8 por cento das mortes nas estradas portuguesas

April 30, 2007

velocidade.jpgPortugal é o terceiro país da União Europeia (UE) que apresenta uma maior taxa de acidentes rodoviários mortais provocados pelo excesso de álcool, revelou, anteontem, um relatório da Comissão Europeia. 

De acordo com os dados da Comissão Europeia, Portugal surge como um dos piores da UE, com uma percentagem de 27,8 por cento, sendo apenas ultrapassado pela Espanha (28,8 por cento) e França (29,5 por cento).

A tabela, que inclui 20 países da UE, a Suiça e a Noruega, assinala a República Checa e a Áustria como os países com menor taxa de acidentes rodoviários provocados pelo excesso de álcool, com 4,8 e 5,9 por cento, respectivamente.

O relatório mostra que 86 por cento dos condutores portugueses dos lugares da frente de veículos particulares ou mistos utilizam o cinto de segurança, o que coloca o nosso país no meio da tabela.

Os condutores franceses são os que mais colocam o cinto de segurança, com uma percentagem de 97 por cento, seguidos dos alemães, com 96 por cento. Os últimos lugares são ocupados pela Bélgica, com uma taxa de 71 por cento, e pela Hungria, com 67 por cento.

A maioria dos ocupantes portugueses dos bancos de trás não cumpre a lei porque apenas 46 por cento utiliza o cinto de segurança. No conjunto de 18 países, Portugal surge na 14ª posição, sendo o primeiro e último lugares ocupados pela Alemanha (89 por cento) e Malta (28 por cento), respectivamente.

Embora a percentagem de mortes nas estradas seja elevada, Portugal registou uma diminuição de 42 por cento de acidentes rodoviários desde 2001.

O relatório foi divulgado no âmbito do Plano de Acção para a Segurança Rodoviária da Comissão Europeia que visa a redução do número de mortos para 25 mil até 2010.

“O problema mais grave de consumo de substâncias em Portugal é o álcool”

Em declarações ao 25ªHora, o director da Unidade de Prevenção (UP) de Braga do Instituto de Droga e Toxicodependência, Miguel Viana, considera que a maioria das pessoas não vê o álcool como uma “substância química psicoactiva que altera o estado de consciência, que compromete o comportamento e que tem o potencial de gerar dependência”.

“Dizermos de forma frontal que o álcool é uma droga pode ser compreendido como uma ofensa para a maioria das pessoas”, explicou o director, acrescentando que “as pessoas não vão atribuir à palavra droga aquilo que um técnico atribui, atribuem-lhe uma coisa malévola”.

Miguel Viana acredita que a ingestão de álcool pode não criar dependência, mas pode provocar inúmeros problemas: acidentes de viação e laborais, violência doméstica, negligência e maus-tratos a crianças, doenças e internamentos.

“O consumo de álcool tem um custo social muito elevado”, enfatizou o técnico de saúde.

O director defende que a abordagem do consumo do álcool, das suas características, manifestações e repercussões deve adaptar-se ao receptor da mensagem porque “as próprias palavras têm significados e representações sociais diferentes”.

“Se nós queremos ter uma atitude pedagogia e preventiva relativamente à questão do consumo de álcool, não devemos remessar, de uma forma agressiva, o rigor científico. Quando a questão é devidamente explicada, as pessoas compreendem e isto produz mais e melhores efeitos”, concluiu Miguel Viana.

[Anabela Santos]

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Revista Egoísta nomeada para dois prémios de design

April 30, 2007

livros_egoista.jpgA revista Egoísta, publicação do grupo Estoril-Sol, está nomeada ao prémio de melhor design da Society of Publication Designers e ao de melhor magazine design no festival One Show Design 2007.

A edição subordinada ao tema Renascimento, de Junho de 2006, concorre para melhor design nos prémios da SPD – Society of Publication Designers, cujos vencedores são conhecidos a 4 de Maio, adianta a agência Lusa. Ao prémio de melhor magazine design no festival One Show Design 2007, a decorrer em Julho, estão nomeadas as edições Renascimento, Cidade, Sonho Português e Paz, todas editadas em 2006.

A Egoísta nasceu em 2000 e desde então soma já mais de dez prémios internacionais e portugueses de design. A imagem é o factor privilegiado nesta publicação, seja ilustração ou fotografia. Conta também com originais de autores e escritores portugueses e estrangeiros.

Gonçalo M. Tavares, Luís Sepúlveda, Margarida Rebelo Pinto, Pedro Mexia e Jorge Reis-Sá participam na edição de Abril, dedicada ao acto de escrever.

[Eduarda Sousa]

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Cinco terroristas britânicos condenados à pena perpétua

April 30, 2007

O juiz do Tribunal de Londres, Old Bailey, condenou, ontem, cinco britânicos à pena perpétua por terem planeado atentados terroristas na Grande-Bretanha em 2003-2004. Segundo a estação televisiva canadiana, Radio-Canada, o grupo terrorista terá recebido o apoio de Al-Qaïda.

Omar Khyam, Salahuddin Amin, Waheed Mahmood, Jawad Akbar e Anthony Garcia foram culpados por uma conspiração terrorista. Os condenados, com idades compreendidas entre os 23 e os 34 anos, são de origem paquistanesa e poderão beneficiar da liberação condicional antes dos 35 ou 40 anos. O dirigente do grupo terrorista, Omar Khyam, vai cumprir uma pena de 40 anos, pelo que não poderá ser libertado por boa conduta.

Os cinco criminosos pretendiam colocar explosivos na discoteca londrina, Ministry of Sound, num estádio de futebol, num centro comercial ou numa infra-estrutura da rede de distribuição de electricidade ou de gás. Seiscentos quilos de produtos químicos e explosivos foram utilizados para construir as bombas.

O canadiano Mohmin Khawaja é acusado de ter fabricado os detonadores que iriam ser usados pelos cinco condenados. O processo tomará início este Verão, pelo que Khawaja vai permanecer preso no Canadá.

«Os cinco condenados eram terroristas treinados. Era a primeira vez desde do 11 de Setembro que vimos no Reino-Unido um grupo de homens britânicos com a intenção de cometer um massacre contra os cidadãos», explicou o chefe da secção anti-terrorista de Scotland Yard Peter Clarke. «Não era um grupo de jovens idealistas», conclui.

De acordo com a investigação do serviço de espionagem inglês, M15, Omar Khyam teria encontrado quatro vezes o líder dos atentados do 7 de Junho, em Londres,  Mohamed Siad Khan. A informação divulgada por M15, ontem de manhã, não foi integrada no processo dos cinco acusados para não prejudicar a sanção. Os encontros de Omar Khyam e Mohamed Siad Khan vão ser investigados a fim de esclarecer o caso.

[foto: http://pt.lostpedia.com/pt_images/thumb/9/91/UKF.png/200px-UKF.png]

[ Catarina Dias ]

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China agrava repressão aos activistas e aos média com a proximidade das Olimpíadas

April 30, 2007

china1.jpgA China deve respeitar o activismo pelos direitos humanos e a liberdade de impressa, exigiu, hoje, a Amnistia Internacional (AI) num relatório. A proximidade da realização dos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, está a agravar as detenções sem julgamento na capital chinesa.   

Embora tenha empreendido novas reformas no sistema de pena de morte e medidas para o exercício do jornalismo estrangeiro, o governo chinês aumentou a repressão, efectuando ‘detenções domiciliárias’ de activistas e controlando os meios de comunicação social e Internet.

“A criação de uma instância de revisão judicial das sentenças de morte e o relaxamento das restrições impostas aos jornalistas estrangeiros são passos importantes para um maior respeito pelos direitos humanos”, explicou a subdirectora do Programa Regional para a Ásia e Oceânia da AI, Catherine Baber, lamentando o aumento da repressão que acompanha estes avanços. 
 
Catherine Baber considera que o Comité Olímpico Internacional (COI) não pode admitir que a celebração dos Jogos Olímpicos seja sustentada por abusos contra os direitos humanos, como o despejo de cidadãos chineses das suas habitações para dar lugar à construção de terrenos de jogos ou as detenções de activistas para os silenciar.

“Se o COI defende que as Olimpíadas deixarão um ‘legado duradouro’ na China, deve preocupá-los o facto dos Jogos Olímpicos estarem a ser utilizados como pretexto para ampliar as detenções”, sublinhou Baber.

A estagnação da abolição da lei ‘reeducação para o trabalho’, que autoriza as detenções arbitrárias, facilita a actuação das entidades policiais que, sob o pretexto da realização das Olimpíadas, estão a ampliar a sua aplicação para “limpar” Pequim.

O relatório mostrou ainda que a lei da ‘Reabilitação Forçada de Toxicodependentes’, outro recurso para efectuar detenções sem processos judiciais, poderá ampliar-se de seis meses a uma ano para diminuir o número de consumidores de droga antes das Olimpíadas de 2008.

Liberdade de imprensa na China

O governo chinês garantiu a ‘liberdade total para os meios de comunicação social’ durante a celebração dos Jogos Olímpicos, mas está a aumentar a repressão sobre os média nacionais.

Em Janeiro de 2007, a China implementou novas medidas sobre o exercício do jornalismo estrangeiro e passou a permitir a realização de entrevistas e investigações, sem a consulta das autoridades nacionais.

A AI acredita na possibilidade da opinião pública chinesa não aceder às informações dos meios de comunicação estrangeiros sobre “aspectos delicados”, sobretudo devido ao controlo oficial crescente sobre a difusão de notícias provenientes de agências estrangeiras.

A China reforçou ainda o controlo sobre a Internet, censurando sites, blogues e artigos.
 

[Anabela Santos]

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Veteranos de Guerra mostram-se insatisfeitos com os seus direitos

April 30, 2007

Entrevista ao Presidente da Direcção da A.P.V.G Augusto Freitas

222222.jpgA Associação Portuguesa de Veteranos de Guerra (A.P.V.G), sedeada em Braga, reclama a ausência de apoio e de consideração por parte dos governantes portugueses. De acordo com o presidente da direcção da A.P.V.G, Doutor Augusto Freitas, o auxílio dado aos veteranos de guerra pelos antigos primeiros-ministros e o actual, José Socrátes, desde o 25 de Abril até hoje, foram “quase nulos”.

As associações dos ex-combatentes pretendem criar uma federação, juntando-se para pressionar os actuais governantes, visando a defesa dos interesses dos veteranos de guerra. Um caderno com as reivindicações dos veteranos de guerra vai ser entregue à sociedade civil.

Os ex-combatentes vão exigir, em breve, uma audiência com o ministro da defesa nacional, Nuno Severiano Teixeira. Em caso de recusa, os veteranos irão recorrer ao Presidente da República e ao veterano de guerra, Cavaco Silva.

No caderno reivindicativo apelam ao cumprimento das leis decretadas pela Assembleia da República, exigindo a sua execução. Segundo estudos científicos, os veteranos de guerras tendem em ter “uma quebra de quinze anos” quando comparados aos restantes cidadãos. Pelo que exigem um “adiantamento da reforma de dois ou três anos em relação aos outros”, sustenta o presidente da direcção da A.P.V.G.

Para além disso, os ex-combatentes pedem que os “camaradas” mortos na Guiné, Moçambique ou em Angola e “abandonados em sítios sem dignidade” regressem a Portugal. Se o regresso dos ex-militares não foi possível, os veteranos de guerra exigem que os governantes portugueses “dêem dinheiro a estes novos países para que eles cuidem estes espaços com dignidade”, explica Augusto Freitas.

“Fizemos tudo o que era possível e nada recebemos em troca, fomos mais sujeitos a receber uma bala de não sei onde”, acrescentou.

“Ele foi militar em África”
  
nova.jpgQuando um soldado morre em missão, a família comunica o acontecimento à associação que tenta dar “um pouco de força anímica” aos familiares mais próximos. Durante o enterro, uma representação da associação presente oferece uma medalha com a inscrição “Ele foi militar em África”. “É uma recordação que fica para toda a vida da família do militar morto”, sublinha Augusto Freitas.

A infecção de doenças tropicais, a instabilidade emocional, a perturbação pós-stress traumática, insónias e violência domésticas são consequências presentes na maioria dos ex-militares. De acordo com a psicóloga da A.P.V.G Susana Pedras, “o trauma não afecta apenas o individuo que o vivenciou directamente, mas também os restantes membros da família ou qualquer elemento com quem o individuo traumatizado mantenha uma relação próxima”. A associação disponibiliza a prestações de apoio médico, jurídico, psicológico, pedagógico e cultural.

“Se é homem vai cumprir, se é mulher está safa”

Durante a Guerra colonial, “toda a gente servia e era carne para canhão”, explica o presidente da direcção. As mulheres eram isentas de cumprir o serviço militar.

“Tivemos no mato muitas vezes no limite da sobrevivência. E o facto é que nós fomos defensores da pátria e hoje somos esquecidos. Fomos para a guerra obrigados” reclama um ex-combatente, Francisco Carneiro Martins. 

A maioria dos jovens, obrigados a abandonar os estudos para cumprir o serviço militar, foram ultrapassados por outros devido ao preenchimento das vagas no mercado do trabalho e aos traumas de guerra que lhes impediram de completar as suas habilitações literárias.

Em Março de 2007, a A.P.V.G festejou oito anos. O objectivo da associação é “lutar pela dignidade daquilo que os ex-combatentes fizeram no local do crime”, em que “na flor da idade lutaram e até morreram pela pátria”.

[Foto: Anabela Santos/ 25ªHora]

[ Catarina Dias

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Aplicação da pena de morte diminuiu em 2006

April 27, 2007

dp_handshake150.jpgA Amnistia Internacional (AI) anunciou, hoje, a diminuição do número de execuções e o aumento da pressão internacional a favor da abolição universal da pena de morte. Em 2006, o Irão, Iraque, Sudão, Paquistão, EUA e China foram responsáveis por 91 por cento das execuções. 

De acordo com a organização, em 2006, cerca de 1591 pessoas foram executadas em 25 países, um número inferior ao de 2005, que registou 2148 execuções. No ano passado, pelo menos 3861 pessoas foram condenadas à morte em 55 países, mas a AI admite que o índice efectivo poderá ser muito superior.

A China é o principal executor do mundo. A AI aponta para mil execuções registadas, em 2006, no país. Os dados relativos à aplicação da pena de morte são segredo de Estado na China, pelo que o número total de execuções poderá ascender aos oito mil.

O número de execuções, em 2006, no Irão duplicou em relação ao ano de 2005, executando mais de 177 pessoas, o que o colocou na segunda posição da lista dos países com maiores índices de execuções no ano passado.

No Iraque, cerca de 270 pessoas foram condenadas à morte desde de 2004, registando-se, pelo menos, cem execuções. Em 2006, o índice de execuções aumentou “drasticamente” no país, com o enforcamento de 65 pessoas.

“Os dados sobre a pena de morte, em 2006, são imperdoáveis, mas as autoridades do Iraque e da China, dois dos países que mais pessoas executam, expressaram o desejo de verem o fim da aplicação da pena capital nos seus respectivos países”, afirmou a secretária-geral da AI, Irene Khan.

O Paquistão passou a integrar a lista dos países com maiores índices, com 82 execuções em 2006. O Paquistão e o Irão foram os únicos países a executar menores. O Sudão e os EUA registaram 65 e 53 execuções, respectivamente.

Embora o índice de execuções tenha diminuído em 2006, o número de pessoas que foram condenadas e estão a aguardar a execução oscila entre os 19 mil e os 25 mil.

Na Europa, a Bielo-Rússia é o único país que continua a aplicar a pena de morte. Os EUA são o único país do continente americano que efectuou execuções desde 2003.

Pena de morte como instrumento dissuasor da criminalidade

De acordo com a ONU, não existe uma relação directa entre a vigência da pena de morte e os índices de criminalidade, considerando que “não é prudente aceitar a hipótese de que a pena de morte tem um maior poder dissuasor sobre os homicídios do que a ameaça e a aplicação da prisão perpétua, pena supostamente inferior”.

“Os países não têm por que temer mudanças súbitas e graves nos índices de criminalidade se reduzirem o seu recurso à pena de morte”, sublinha ainda a organização.

Os números mais recentes de criminalidade dos países onde já não vigora a pena de morte comprovam que a abolição desta sentença não produziu um aumento da delinquência e de actos criminosos. No Canadá, por exemplo, o índice de homicídios por cem mil habitantes de 2003 é 44 por cento inferior ao de 1975, ano anterior à abolição da pena de morte.

[Foto: http://www.amnistiainternacional.org/]

[Anabela Santos]

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A escola da infância torna-se num trabalho para as crianças

April 27, 2007

jardim-de-infancia.jpgA escola para a infância torna-se o início do ensino, onde tudo tem um dever educativo. Nas palavras da Investigadora da Universidade de Paris 13, Natalie Rouscous que realizou ontem uma conferência na UM, a noção de lazer é remetida para as actividades exteriores.

As escolas de infância francesas (maternel), insere crianças dos três aos seis anos e já existe uma perspectiva educativa. Como explicou Natalie Rouscous, na “Conferência L’enfance, loisirs et ateliers des temps librés”, as actividades são transformadas num exercício e têm sempre uma finalidade educativa. Neste contexto “o lazer configura-se numa actividade fora da escola”.

O método pedagógico utilizado consiste na relação de professor-aluno, na qual o professor ensina e o aluno aprende. Assim “as acções são conduzidas, tudo é dirigido pelo educador que depois avalia os resultados”. O principal serviço que desempenham é a preparação da escola primária, e a escola torna-se uma obrigação.

O termo ‘lazer’ é utilizado para evitar a associação entre trabalho e infância. “Era dizer que a criança é próxima do adulto, era conferir-lhe um maior relevo e um lugar específico”, esclarece a investigadora. A ideia de que a criança realiza um trabalho e não um tempo sem constrangimento (lazer) é rejeitada.

Em declarações ao Comum online, Natalie Rouscous confessa que o lazer nunca vai ser integrado nas escolas francesas. “As escolas pensam que o lazer passa-se no exterior. Era necessário rever a maneira de pensar a educação”.

Para a investigadora, a principal razão para esta situação é o papel da criança na nossa sociedade. As crianças têm de aprender para se transformar em adultos desde a sua infância. “ Em vez de ver um actor social na criança, já percepcionam o adulto em desenvolvimento”, conclui.

O caso da Suécia

Na Suécia existe uma única instituição que acolhe as crianças entre um a seis anos. No sistema sueco acredita-se que a criança tem competências próprias, pelo que as actividades não são pensadas como um modo de constrangimento.

Não existe a necessidade de um programa de exercícios, “as crianças livres constroem o seu saber autónomo”. Assim a questão do lazer só aparece depois dos seis anos com actividades extra-escolar.

Fraca adesão estudantil

O professor e organizador do acontecimento Manuel Sarmento lamentou a fraca participação estudantil à conferência. “Apesar da divulgação, os estudantes não aproveitam muito, é uma pena. A adesão é sobretudo de alunos de Pós-graduação”, explica.

Imagem: Francisca Fidalgo/ComUM

Também disponível em: http://www.comumonline.net/noticia.asp?id=1897
 

[ Sylvie Oliveira ]

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Segurança Social falha no apoio às famílias das crianças institucionalizadas

April 27, 2007

dsc02816.jpgO director técnico do Lar da Oficina S.José de Braga, Serafim Gonçalves, critica a Segurança Social pelo facto de não apoiar devidamente as famílias das crianças institucionalizadas. A ausência de uma estrutura de apoio familiar torna inviável o regresso definitivo das crianças a casa.

Em entrevista ao 25°Hora, Serafim Gonçalves considera que “é importante tanto quanto possível nunca se perder o vínculo com a família” para que as crianças não acabem por permanecer um longo período nas instituições. 

O director técnico do Lar sustenta que a “institucionalização nunca é a solução ideal, é a possível”, pois o ideal para as crianças “era que as instituiçoes competentes dessem resposta suficiente para que elas pudessem permanecer sempre no seio familiar ou família alargada”.

O Lar da Oficina S.José de Braga faz questão que as 45 crianças do sexo masculino internadas mantenham o contacto com a família, pelo que a maioria vai a casa aos fins-de-semana e nas férias. “A família continua a ser a primeira responsável pela vida deles e só depois vem a instituição que é um suporte, uma ajuda”, reforça o director técnico. 

As crianças desejam sempre visitar a família, mesmo quando foram vítimas de violência. “Por mais que sintam que os pais lhes fizeram mal, elas gostam de ir a casa, gostam sempre dos pais”, ressalta Serafim Gonçalves.

“A vertente profissionalizante é a melhor saída”

A maioria das crianças integradas em instituições “tem tendência a ter insucesso escolar” devido à instabilidade vivida no seio familiar. “Não é fácil para uma criança que até aos 10 anos nunca ou raramente foi à escola ter sucesso escolar”, explica o director técnico.

O Lar da Oficina S.José de Braga desenvolve um acompanhamento periódico junto dos directores de turma das crianças do Lar para avaliar aspectos como o comportamento ou a assiduidade e progressos evidenciados. As crianças são acompanhadas pelo monitor, pelo director-técnico ou pela psicóloga.    

Serafim Gonçalves refere a existência de uma certa estigmatização em relação às crianças institucionalizadas na escola, pois a ideia comum é a de que por “serem da Oficina de S.José não podem ser bons alunos”.

O Lar da Oficina S.José está a investir nos cursos profissionais porque “a vertente profissionalizante é a melhor saída”. “Quando as nossas crianças transitam para cursos profissionais ou cursos de educação e formação obtêm imenso sucesso. Quando enveredam por cursos técnico-profissionais”, prossegue Serafim Gonçalves, “normalmente são os melhores ou dos melhores alunos”. 

“Alguns miúdos disseram-me que na escola lhes perguntaram se aqui também havia bibis!”

Inúmeras crianças do Lar da Oficina S.José de Braga ressentiram-se com a controvérsia instalada pelo processo Casa Pia. Na escola, receberam abordagens reveladoras de “uma falta de sensibilidade tremenda”. “Alguns miúdos disseram-me que na escola lhes perguntaram se aqui também havia bibis”, lamenta o director técnico. 

Serafim Gonçalves considera que os média “exploram as coisas pelo lado negativo quando deviam centrar-se no lado positivo”. “Os focos da comunicação social estão voltados para este tipo de instituições por causa do processo Casa Pia e da Oficina S.José do Porto, criando uma imagem negativa destas instituições”, conclui Serafim Gonçalves.

[Foto: Catarina Dias/25ºHora]

[Anabela Santos]