Último dia da Feira do Livro de Braga contou com a presença do escritor Baptista-Bastos
Baptista-Bastos afirmou, ontem, 29 de Abril, na Feira do Livro de Braga, que “em Portugal escreve-se muito mal” e “os lobbies acabam sempre por vencer”. No último dia do evento, Luís Cardoso, Manuel Jorge Marmelo, Fernando Pinto Amaral e Baptista-Bastos encerraram o ciclo de debates com o tema “Os (mil) rios da escrita”.
Baptista-Bastos (na foto) acredita que “muitos escritores à força de o quererem ser deixam de o ser”. E refere como exemplo José Rodrigues dos Santos que, na sua opinião, “não existe como escritor, jornalista ou pivô”
Para o autor de “Fado Falado”, “não existe uma crítica literária em Portugal e os lobbies acabam sempre por vencer”. “Faz falta a muitos escritores passarem pelas redacções dos jornais”, continua. “Há uma grande ausência de curiosidade nas pessoas” e “a imprensa em Portugal não cumpre o seu dever e omite, muitas vezes, por ignorância”. Por isso, é “urgente as pessoas desenvolverem um sentido crítico”, finaliza Baptista-Bastos.
O jornalista e escritor Manuel Jorge Marmelo afirma que existem “regras para escrever. Até há cursos de escrita criativa mas um romance só existe quando essas regras são rompidas”. “Desde a Grécia antiga que as histórias estão todas contadas, podemos é arranjar novas formas de as contar”.
Fernando Pinto de Amaral acha que um escritor ainda pode acrescentar algo de novo, nem que seja ao nível da linguagem, de forma a criar um espaço renovado. “O escritor deve trazer ao leitor aquilo que ele, como leitor, gostaria de ler”, continua.
Portugueses lêem mais
O professor universitário é da opinião que cada vez se lê mais. O problema está em ler só “livros de entretenimento”, por isso, apela aos leitores que “não desistam mas continuem”, passando para outro tipo de literatura.
Fernando Pinto de Amaral encara a escrita com “seriedade” mas também como uma “brincadeira”. Em resposta ao tema “Os (mil) rios da escrita”, o escritor timorense Luís Cardoso, afirma que “a escrita tem a ver com o mar” já que na sua terra, Timor, “não há rios, apenas mar”.
A sessão ficou marcada pela ausência da escritora Teolinda Gersão que não pôde comparecer. Na hora do balanço, o responsável pela Feira do Livro e moderador da mesa, Jorge Cruz, destacou a presença constante dos jovens no evento. E adiantou que a próxima Feira do Livro de Braga está assegurada para finais de Março de 2008, “com estes ou outros responsáveis”.
[Eduarda Sousa]
Imagem: www.releituras.com
Artigo original. Versão editada aqui (ComUM)


